Emprego no Paraná - 2019

AGÊNCIAS DO TRABALHADOR DO PARANÁ COLOCARAM QUASE 100 MIL TRABALHADORES NO MERCADO EM 2019

 

As Agências do Trabalhador do Paraná, vinculadas à Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho – SEJUF, através dos seus serviços de seleção e alocação por meio de emprego, colocaram 95.955 trabalhadores no mercado no ano de 2019.

Os números são bons mas houve um certo recuo no número de colocações (12%) e de inscrições (2,1%) pelas Agências componentes da Rede Estadual ao compararmos com o ano anterior, em função principalmente da diminuição de admissões das vagas encaminhadas pelas agências. Embora essas tenham aumentado de 511.022 mil, em 2018, para 591.298, em 2019 (15,7%), houve menos absorção do mercado, a colocação efetiva do trabalhador, em relação às vagas, que passou de 76,66%, em 2018, para 61,91% no ano passado, conforme poderá ser observado na tabela a seguir:

Tabela IMO

Levando-se em consideração a colocação das Agências e fazendo um comparativo com o total de admitidos no ano, segundo dados do CAGED - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia, a proporção foi de 7,85%, no ano de 2019, enquanto em 2018 foi de 9,32%.

O número de vagas disponíveis aumentou em cerca de 10%, porém a diminuição da colocação não denota eficácia nesse quesito. Uma melhor qualificação profissional como a feita pelo programa das “Carretas do Conhecimento”, que está de volta em 2020, pode ajudar a melhorar esses números esse ano. As Carretas trazem uma série de cursos em certas regiões carentes do Estado no intuito de qualificar profissionais para ingressarem no mercado de trabalho.

Após 2 anos na faixa dos 107.000 colocados ao ano pelas Agências, em 2017 e 2018, nota-se uma queda no número atual de colocação mas o patamar segue acima de 2016. No comparativo de 2019 com 2018, constata-se que o número de inscritos às vagas caiu 2 %.

Algumas regiões ainda melhoraram seus índices de colocação em 2019, tais como de Campo Mourão, Cornélio Procópio, Guarapuava, Ponta Grossa, Pitanga e União da Vitória, que demonstram a importância das Agências do Trabalhador na colocação de trabalhadores no mercado, considerando apenas os municípios que também compõem a rede de atendimento, ou seja, excluindo aqueles com agências que optaram por firmar convênio diretamente com o Ministério do Trabalho e Previdência Social (municipalizadas). Esses são os casos de Londrina, Maringá e Ponta Grossa. No caso do município de Curitiba, como a gestão desta política é feita de forma compartilhada entre a Prefeitura (agências descentralizadas nos bairros) e o Estado (agência Central de Curitiba), computa-se apenas a parte estadual das admissões.

As pessoas com deficiência também foram um pouco menos inseridas, com uma curva descendente de 2017 para cá dos colocados e percentual baixo de absorção de candidatos em relação ao número de vagas (15,22% em 2018 e 19,22% em 2019, enquanto em 2017 esse índice foi de surpreendentes 95%), embora nos últimos 3 anos terem sido encaminhadas cerca de 16 mil pessoas com deficiência pelas Agências ao ano, um número significativo.

O Programa de Apoio à Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho – PPD, da SEJUF, ação executada pelas Agências do Trabalhador que tem como objetivo a inclusão social da pessoa com deficiência através do trabalho, possibilitando a habilitação ou readaptação profissional, deve contribuir para melhorar esses números já que em 2020 há previsão para uma nova realização.

 

CRESCEM OS NÚMEROS DE COLOCADOS NA INDÚSTRIA, CONSTRUÇÃO CIVIL, COMÉRCIO E SERVIÇOS

Com base nos dados do saldo de admissões e desligamentos do CAGED, em que leva em conta as movimentações de empregados regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o Paraná, levando em consideração o acumulado do ano de 2019 ocupa o 4o lugar, com um saldo extremamente positivo, de 51.441 postos de trabalho, de janeiro a dezembro de 2019, com ajuste. No acumulado do ano teve aumento de 24,27% em relação ao ano de 2018 e sua capital manteve a liderança dos municípios com um saldo de 19.325 empregos formais gerados.

Em relação aos setores que mais criaram emprego no ano, levando-se conta a metodologia dos grandes setores do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Serviços ocupa o 1o lugar com um saldo positivo de 32.311 postos de trabalho, seguido pelo Comércio (13.610) e a Construção Civil (6.036), já com valores fora do prazo. O desempenho paranaense foi impulsionado principalmente pelos resultados nos setores mencionados, com crescimentos de 12,1% na Construção Civil e 7,8% nos Serviços, levando-se em conta as admissões do período. Analisando a geração real de emprego, saldo entre admissões e desligamentos, o saldo é bem melhor, crescendo mais de 150% na Indústria e Construção Civil, por exemplo, seguido do Comércio, com cerca de 38% de crescimento.

A indústria paranaense cresceu 5,70% no 4o trimestre se comparado ao ano anterior, muito próximo da elevação do Comércio para o mesmo período, de 5,71%; Construção Civil, com 7,23%, e Serviços, com 6.5%, encabeçam a lista. O setor de Serviços não cresceu tanto no comparativo, mas teve o maior saldo, na casa dos 30 mil postos de trabalho tanto em 2018 como 2019, além de um maior número de admissões, como pode ser visto no gráfico ao lado. 

Admissões x Demissões

A Agropecuária, que normalmente é um setor de destaque produtivo estadual, teve um desempenho aquém das expectativas no ano passado, fechando o ano com menos 3,5% em relação ao número de admissões do ano passado. O setor agropecuário teve queda de 7,33% se comparado ao trimestre anterior e de 2,24% se comparado ao quarto trimestre de 2018. Tanto o cultivo de soja como a criação de aves melhoraram suas empregabilidades, porém entre os fatores que explicam essa diminuição da atividade no Estado, estão a Produção Florestal e Atividades de apoio à produção florestal, que caíram de um saldo de 222 e 320 empregos criados, respectivamente, para - 541 e - 168, em 2019. Ou seja, ambas tiveram mais desligamentos que admissões e isso deve-se principalmente a cada vez mais a produção estar mecanizada e sem uma grande oferta de floresta madura disponível.

Olhando pelo lado das exportações, o agronegócio respondeu por 77,6% do montante do Paraná em 2019. Dos US$ 16,2 bilhões exportados, US$ 12,6 bilhões são dos produtos do agronegócio, o que ajudou ao Estado ficar na 3ª posição no ranking nacional das exportações do setor em 2019, correspondendo a 13,02% do volume brasileiro, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Economia. Porém, houve um recuo nas exportações totais do Estado (foram US$ 18,4 bilhões, em 2018) assim como nos produtos básicos (dos quais destacam-se a soja e a carne de frango), de 8,96 US$ bilhões para 7,7 US$ bilhões, de janeiro a novembro de 2019, comparado ao mesmo período de 2018. A soja perdeu participação de 26% para 20%, enquanto a carne de frango congelada, fresca ou refrigerada incluindo miúdos foi de 11 para 15 % de participação nas exportações (COMEX, Ministério da Economia, 2020).

Pelo lado do produto (PIB) a Agropecuária foi o Setor que mais cresceu, 10,01% no 3o trimestre, segundo últimos dados disponíveis do IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, ao ser comparado ao mesmo período de 2018, para mostrar que produção e comércio exterior não tem necessariamente uma relação direta com emprego.

Além dela, analisando pela classificação dos setores que incluem as categorias de administração pública, extrativa mineral e serviços industriais de utilidade pública, as duas últimas também tiveram saldos negativos, de 16 e 264 empregos formais, respectivamente, no acumulado de janeiro a dezembro de 2019.

O número de beneficiários do Seguro-Desemprego, ou seja, que receberam ao menos uma parcela do pagamento, aumentou em 4,8%, de 299.804, em 2018, para 314.208, em 2019, embora o número de requerentes e habilitados tenha diminuído nesse ano.

Esse é um dos principais termômetros do mercado de trabalho, pois se a demanda por este benefício cresce, significa que um número maior de empresas está enfrentando dificuldades para manter seus funcionários e sua linha de produção, o que pode significar que a atividade da empresa não está rentável e portanto, a redução do quadro é mais viável que a manutenção da produção, que pode ser decorrente de menor demanda pelo produto e/ou serviço, por exemplo.

Por outro lado, assim como em 2018 sugere, às vezes, um número maior de trabalhadores prefere buscar algum trabalho já logo em seguida, se for possível, não precisando usufruir do benefício que foi solicitado, o que também é muito positivo tanto para o mercado quanto para diminuir os índices de desemprego.

 

PANORAMA GERAL DE EMPREGO NO ESTADO

 

De forma geral, os números corroboram a perspectiva de aumento do número das vagas de trabalho para 2020, cuja previsão de crescimento do PIB realizada pelo Banco Central atualmente está na ordem dos 2,2% no ano. O trabalho intermitente, modalidade regularizada na reforma trabalhista, respondeu por menos de 1% do total de admitidos em 2019, porém os contratados dessa forma aumentaram em cerca de 121 % em relação a 2018 no Paraná.

As Agências do Trabalhador vislumbram aumentar sua participação de colocação de trabalhadores em relação ao número total de admitidos na Economia do Estado, para esse ano, afinal elas têm muito potencial de crescimento.

O saldo geral do ano também caminha para a casa de 60 mil postos de trabalho, seguindo essa tendência, levando-se em consideração que ainda estamos em um processo de gradual recuperação, com ainda alto nível de ociosidade da capacidade produtiva brasileira. Com isso, o Estado poderá melhorar o estoque de carteiras assinadas, que hoje conta com cerca de 2,65 milhões de pessoas empregadas.

Em breve, serão disponibilizados boletins mensais informativos a respeito do desempenho paranaense no Mercado de Trabalho no ano de 2020 elaborados pelo Observatório do Trabalho.