Prevenção da Violência contra a Mulher

Em nossos atendimentos, ao investigarmos mais a fundo a história de vida das mulheres e o que elas narram da história de vida do homem que a agride, percebemos na maioria dos casos, história de violência na família do agressor e da vítima também.
Ás vezes, os homens que agridem suas esposas (alguns também agridem os filhos), apesar de não terem sido vítimas de violência em sua infância, testemunharam, de alguma forma, outros casos de violência.
Quando digo testemunharam, quero dizer que permaneceram, durante a sua infância e adolescência, em ambiente de alguma forma, agressivo e sem limites, com uma espécie de “falha” de autoridade.
Quando ouvimos relatos do tipo “ele bate na mulher, mas é um bom pai, não deixa faltar nada aos filhos”, ficamos preocupadas.
Este homem deixa faltar aos filhos o principal na educação deles: a noção de limite. Deixa faltar a noção de respeito ás normas de convívio familiar e social.
Este homem de alguma forma, na sua infância foi “vítima” desta falha e isso pode ter colaborado enormemente para torná-lo um agressor.
Muito se diz que muitos homens foram vítimas de violência ou a testemunharam e nem por isso tornaram-se agressores. Isso ocorre devido a diferenças psíquicas, a processos emocionais e psicológicos de elaboração das situações que variam de pessoa para pessoa. Da mesma maneira que em uma mesma família, onde vários filhos foram criados da mesma forma, um ou outro se “desvia” e torna-se um fora da lei ou um dependente químico, etc. São as diferenças internas de cada um e que são muito difíceis de perceber na infância.
No esforço de proteger seus filhos do trauma, algumas mulheres tentam esconder a situação de violência dos filhos, ou mesmo acaba protegendo o agressor de uma ação da lei, o que de alguma forma poderia agir como a presença de um limite para ele e, por conseguinte, a noção - para os filhos - de que a violência deve tem um limite, ou uma conseqüência, uma punição. Quando esta tentativa de “proteção” dos filhos acontece, ela pode vir a se tornar uma causadora da formação de um adulto agressor (no caso dos meninos) ou de mais uma vítima (no caso das meninas).
Tentar esconder a violência não previne trauma. Agrava-o.
Enfrentar a violência com as armas legais, com a noção de verdade e leis de convivência social, permitem que se forme um adulto capaz de ter uma vida familiar saudável, um adulto capaz de amar.


EVALNETE RODRIGUES
PSICÓLOGA
CRP 08/09578