Celina e Beatriz Abagge, do Caso Evandro de Guaratuba, são ouvidas pela Grupo de Trabalho da Secretaria Estadual de Justiça
24/09/2021 - 17:06

Na última semana o Grupo de Trabalho (GT) da Secretaria de Justiça Família e Trabalho, que trata do emblemático Caso Evandro ouviu, em reunião online, o relato espontâneo das pessoas acusadas de protagonizar o caso. O cronograma estabelecido está sendo rigorosamente cumprido e encontra-se em fase de conclusão de suas ações.

Entre os participantes, estavam Beatriz Abagge, Celina Cordeiro Abagge, Davi Santos Soares, Osvaldo Marceneiro e Airton Bardelli, que afirmaram terem sofrido atos de tortura ao longo do período de investigação e de prisão a que foram submetidos. Todas elas revelaram ter feito confissões sob tortura, detalhando as situações vividas desde a abordagem ao aprisionamento. E anunciaram que ainda se encontram psicologicamente abaladas diante de tudo o que sofreram.

Oportunidade de ser ouvida - Celina Abagge agradeceu à sensibilidade do GT pela oportunidade de ser ouvida, desejando que no futuro não aconteça o que aconteceu em sua casa em Guaratuba onde, segundo ela, sete inocentes foram barbaramente torturados. “Agradeço especialmente ao secretário e deputado Ney Leprevost por formar esse Grupo com a finalidade de ouvir nossos relatos na esfera pública, fato que acontece pela primeira vez em 30 anos”, ressaltou ela.

Ney Leprevost destaca que a criação do Grupo de Trabalho tem por objetivo analisar, de forma interinstitucional, o Caso Evandro. ”Buscamos identificar possíveis violações de direitos humanos e sugerir aos órgãos competentes a adoção de medidas cabíveis para apuração de eventuais ilicitudes no caso. Também buscamos sugerir a implantação e implementação de políticas públicas para fortalecer a garantia de direitos de todas as pessoas”.

Abalo psicológico – “Hoje eu tenho meus dentes quebrados e o meu estômago inchado. Depois de todas as torturas a que fomos submetidos, não recebemos nenhum tipo de ajuda psicologica. É dificil tratar com isso no meu dia a dia Lamentavelmente ficaram muitas sequelas em todos nós. Não apenas fisicas, mas principalmente psicológicas”, assegurou Beatriz Abagge.

Relembrando o Caso Evandro - O “Caso Evandro” trata do desaparecimento do garoto Evandro Ramos Caetano, na idade de 6 anos, em 1992, na cidade litorânea de Guaratuba. Após o ocorrido, seguiu-se investigação, que apontou para possível sequestro seguido de assassinato. Embora o corpo tenha sido localizado, há suspeitas de que não seja de Evandro. Conjectura-se que o caso possa ter envolvido tráfico de pessoa para fins de venda de órgãos ou exploração sexual.

Acerca da investigação promovida à época, recaem suspeitas de que tenha sido perpetrada tortura e abuso sexual contra as possíveis agressoras, para que as mesmas confessassem, utilizando-se também da discriminação contra as religiões de matriz africana para sua incriminação.

Grupo de Trabalho - Após a repercussão da série documental “O Caso Evandro”, produzido pela Globoplay, a Secretaria da Justiça, Família e Trabalho estabeleceu a formação de um grupo de trabalho (GT). A iniciativa foi proposta pelo secretário Ney Leprevost, que após assistir o documentário sobre o Caso Evandro ficou perplexo com os possíveis erros cometidos. O grupo de trabalho tem como objetivos o estudo do caso para detectar as falhas, o encaminhamento de relatório ao judiciário sobre violações dos direitos humanos e possíveis injustiças e a adoção de novas medidas para proteção das crianças.

O GT é comandado pela Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf) por meio do Departamento de Direitos Fundamentais e Cidadania (Dedif), é composto por representantes da Sociedade Civil e do Poder Público. Ele conta com a participação de representantes do Ministério Público, do Tribunal de Justiça do Paraná, da OAB Paraná, do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, do Conselho de Igualdade Racial.

Ângela Christianne Lunedo de Mendonça, chefe do Departamento de Direitos Fundamentais e Cidadania (Dedif), conta que “o relato espontâneo contribui demais para atuação do Grupo de Trabalho. Ele nos oferece uma visão bastante ampliada e diversificada dos casos. Também representa um lugar de escuta muito importante para todos os envolvidos nesse fato ocorrido 30 anos atrás no Paraná”.

(Via assessoria de comunicação – Josias Lacour).