Paraná torna-se o terceiro Estado com maior número de migrantes do Brasil 25/02/2026 - 17:16

O Observatório Regional de Governança Migratória (OrgMigra), vinculado à Superintendência-Geral de Governança Migratória, da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, acaba de lançar o primeiro Panorama Geral das Migrações no Paraná. O boletim, que terá edições quadrimestrais, reúne informações sobre fluxos migratórios no Brasil e no Estado, oferecendo um panorama amplo e atualizado dos dados.

De acordo com o boletim, o Brasil contabilizou 2.345.266 entradas internacionais no período de 2010 a 2025. Desse total, 80,5% concentram-se em sete Estados, e o Paraná ocupa a terceira posição entre as unidades da federação que mais receberam migrantes e refugiados internacionais nesse período: 211.580 mil pessoas, o que corresponde a 9% do total nacional.

As primeiras posições são ocupadas por São Paulo (650.489) e Roraima (342.342). Depois do Paraná, está Santa Catarina (205.637), Rio de Janeiro (190.166), Rio Grande do Sul (157.675) e Amazonas (131.819). De acordo com dados do OrgMigra, com base em microdados do sistema de migração, até 2024 o Paraná ocupava o quarto lugar nesse ranking.

“Somente é possível realizar uma gestão eficiente se tivermos números e dados para planejar todas as ações. Com levantamento e organização desses dados, foi possível constatar diversas informações muito interessantes. Por exemplo, o Paraná passou a ser o terceiro Estado que mais recebe migrantes”, comenta Gil Souza, Superintendente-Geral de Governança Migratória.

Em relação à origem dos migrantes que escolheram o Paraná para viver, o boletim aponta que os principais fluxos são provenientes da Venezuela (76.548), Haiti (35.218) e Paraguai (24.814). Eles são seguidos por Cuba (19.182), Colômbia (7.268), Argentina (7.187), além de Peru (2.475), Líbano (2.219), França (2.123), Alemanha (1.733), Estados Unidos (1.639), Portugal (1.632) e Bangladesh (1.587).

A pirâmide etária mostra que há mais homens que mulheres migrantes no Estado, e o grupo com 25 anos ou mais concentra o maior número, o que indica um perfil predominantemente adulto e em idade ativa.

Segundo dados do boletim, entre 2020 e 2025 o Paraná apresentou aumento de 389% nos registros migratórios internacionais – passou de 7.638 em 2020 para 37.399 em 2025. O principal salto foi de 2020 para 2021 (124,6%). De 2024 para 2025 o crescimento foi de 17,4%. 

Souza observa que, entre os municípios paranaenses que mais concentram migrantes internacionais no Brasil, Curitiba se destaca com 65.232 registros, consolidando-se como o principal polo de acolhimento no Estado. Em seguida aparecem Foz do Iguaçu, com 25.168 migrantes, e Cascavel, com 18.048, municípios estratégicos tanto pela localização de fronteira como pela dinâmica econômica regional. Na sequência, São José dos Pinhais conta com 7.424, Maringá com 6.116 e Pinhais com 4.871.

“São várias informações que podemos estudar e que vão ajudar na gestão não só do Governo do Paraná e de suas secretarias, mas também dos municípios, e a academia pode se valer desses estudos para realizar outros levantamentos importantes”, ressalta o superintendente.

Os dados do boletim também apontam um crescimento expressivo das solicitações de refúgio no Paraná, sobretudo a partir de 2017, em consonância com o agravamento de crises humanitárias, políticas e econômicas em diferentes regiões do mundo. Embora os deferimentos avancem em ritmo mais moderado, observa-se uma trajetória contínua de aumento nos pedidos, o que reforça a inserção do Estado nas rotas do refúgio internacional.

A concentração das solicitações de refúgio ocorre principalmente em Curitiba, que lidera com 8.633 registros, seguida por Foz do Iguaçu (5.342), Londrina (647), Cascavel (616), Maringá (470), Ponta Grossa (416) e Guaíra (347).

Entre os países de origem das solicitações de refúgio, Cuba lidera, seguida por Haiti, Venezuela, Líbano e China. O boletim também aponta o avanço da integração migratória, com 4.044 naturalizações concedidas entre 2024 e 2025, majoritariamente a cidadãos haitianos, representando 41,2%, venezuelanos (7,9%), libaneses (7,3%), sírios (4,7%) e cubanos (4,5%).

Inserção econômica

A partir da análise do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o boletim revela que, entre 2020 e 2025, o mercado formal de trabalho no Paraná manteve desempenho positivo na inserção de trabalhadores migrantes. Em 2020, foram registradas 15.429 admissões. No ano seguinte, o total subiu para 21.197. Em 2022, as contratações chegaram a 32.141 e continuaram avançando em 2023, com 45.377 admissões. Em 2024, o número alcançou 67.899 registros e, em 2025, houve novo salto, totalizando 83.887 admissões.

“A evolução dos dados evidencia a ampliação gradual da inserção de migrantes no mercado formal de trabalho paranaense ao longo dos anos. Oferecer trabalho é também oferecer dignidade aos que precisam sair de suas origens para começar uma nova história”, diz o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Valdemar Jorge, ressaltando que o paranaense é um povo acolhedor. Ele acrescenta que a migração traz desafios ao governo e às prefeituras, porque há aumento na demanda por saúde, educação e outras areas. “Com dados confiáveis em mãos, vamos seguir com políticas responsáveis de governança, acolhimento e cuidado”, afirma.

Mesmo com oscilações ao longo do período analisado, os dados indicam saldo positivo de contratações em todos os anos, sinalizando a incorporação gradual da mão de obra migrante aos principais setores produtivos do Paraná. No ano passado, por exemplo, embora os desligamentos tenham somado 62.508, as admissões alcançaram 83.887, resultando em um saldo positivo de 21.379 vínculos. As admissões superaram os desligamentos de forma contínua, especialmente a partir de 2022. A maior concentração das contratações ocorre nos setores de serviços, indústria e comércio, seguidos pela construção civil e pela agropecuária.